Cesta básica chega a quase 16% de inflação no acumulado em 12 meses

Dos alimentos que compõem a cesta básica, itens como o açúcar cristal e o óleo de soja acumulam inflação de mais de 30%

O óleo de soja é um dos itens da cesta básica que mais inflacionaram
O óleo de soja é um dos itens da cesta básica que mais inflacionaram - Shutterstock

por Loyane Lapa
Publicado em 22/10/2021 às 13:30
Atualizado às 13:30

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Uma pesquisa divulgada pela Folha de São Paulo revela que a inflação acumulada na cesta básica acumulou quase 16% de inflação em 12 meses. Os dados foram produzidos por professores de economia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR).

Para chegar até o valor exato de 15,96%, o estudo utilizou dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é o indicador oficial da inflação no Brasil, calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Essa disparada no valor dos alimentos e de outros serviços essenciais são resultado de variados fatores como a alta do dólar, valorização de matérias-primas agrícolas no cenário internacional (commodities) e também de efeitos climáticos, como a seca prolongada e as geadas, que afetaram plantações e colheitas. 

Dentro dos 13 produtos que compõem a cesta básica, os alimentos que acumularam alta em seus valor de mercado foram: 

  • açúcar cristal (38,37%);
  • óleo de soja (32,06%);
  • café moído (28,54%);
  • contrafilé (26,88%);
  • margarina (24,97%);
  • batata inglesa (24,71%);
  • tomate (24,32%).

Mas a questão central desse aumento nos alimentos da cesta básica é que ela afeta principalmente as famílias de baixa renda. E, unido a isso, o brasileiro ainda precisa lidar com o aumento nas contas de luz, no botijão de gás e no combustível.

Por sua vez, esse aumento no valor de itens essenciais para a sobrevivência afeta o pagamento de questões consideradas secundárias, como o pagamento de dívidas e contas de serviços não essenciais, aumentando o número de brasileiros endividados.

Além disso, o Brasil acumula também 14,8 milhões de desempregados, que corroboram para o alto número de endividados e 27 milhões de pessoas abaixo da linha da pobreza.

Como resultado, aumentam o número de pessoas em busca de doações de comidae de restos de alimentos. Casos como esses já foram registrados no Rio de Janeiro, Fortaleza (CE) e em Cuiabá (MT).

Segundo um dos economistas que participaram da pesquisa, Jackson Bittencourt à Folha de São Paulo, a inflação dos alimentos até deve desacelerar na reta final do ano, no acumulado de 12 meses. Mas a tendência é de que os preços permaneçam ainda em um patamar elevado para o bolso do consumidor.

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