O dólar está em queda e precisamos ficar de olho nele

Com menor valor desde a 2ª quinzena de janeiro de 2021, ele chegou a ser negociado por R$5,20 nesta sexta-feira

Queda do dólar
Queda do dólar - Shutterstock

por Gabriela Campos
Publicado em 08/05/2021 às 09:00
Atualizado às 09:00

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O dólar comercial registrou uma importante queda nesta sexta-feira (7), chegando a ser cotado por R$5,20, valor bem abaixo dos R$5,79 praticados há dois meses, na primeira quinzena de março. 

Os registros de quedas vêm ocorrendo de forma recorrente desde o começo de abril e geram uma sensação de esperança no mercado brasileiro. Mas afinal, por que o dólar está em queda e por que eu, você e os demais brasileiros “comuns” precisamos ficar de olho nessa movimentação? 

Entendendo os motivos que levaram à queda do dólar

Listamos abaixo três motivos que estão favorecendo a queda do dólar comercial no Brasil: o aumento da Selic, a alta valorização das matérias-primas brasileiras e o superávit da balança comercial brasileira.

1) Selic

O Copom anunciou nesta semana um novo aumento na Selic, a taxa básica de juros brasileira. Com o novo aumento, o mercado brasileiro de investimentos ficou ainda mais atrativo nacional e internacionalmente, já que a taxa afeta todos os outros tipos de juros existentes no país, como os retornos de aplicações financeiras (especialmente os Títulos do Tesouro Direto, investimentos em Renda Fixa e caderneta de poupança). 

Quem não vai querer investir em títulos de um país que está pagando juros bons, né?!

2) Alta valorização das matérias-primas brasileiras 

O valor de comercialização do minério de ferro está em grande ascensão em 2021 e, nos últimos dias, atingiu o maior preço da história, com a tonelada sendo vendida por uma média de US$ 200. O Brasil é um grande nome na produção de minério de ferro, matéria-prima utilizada em peso nas produções de indústrias siderúrgicas, especialmente na China, país responsável por mais de 50% das produções siderúrgicas de todo o mundo. 

3) Superávit da balança comercial brasileira 

Em abril, o país exportou US$ 26,48 bilhões e importou US$ 16,13 bilhões, atingindo um superávit comercial de US$ 10,35 bilhões no mês. Um dos motivadores desse desempenho frente ao mercado internacional é o ponto que citamos acima: a alta valorização de commodities brasileiras e a sua alta procura. 

Ou seja: no momento, tem muita gente querendo os nossos produtos e eles estão sendo vendidos por altos preços. É hora de aproveitar o momento para trazer vários dólares pra cá.

O dólar vai continuar caindo?

Sim… Não… Quem sabe!

Como listamos acima, os motivos que estão levando a queda do dólar comercial no Brasil são reais, mas, de certa forma, instáveis e dependem muito da situação econômica do país nos próximos meses.

Os investidores internacionais estão amando a Selic a 3,50% e a possibilidade dela aumentar ainda mais, mas eles também estão de olho na situação das contas públicas e na inflação - duas coisas que não andam lá muito bem por aqui. Explicando de forma bem direta, essa preocupação se dá porque com o possível aumento e descontrole da situação econômica do Brasil, investir no país passa a ser um risco, já que quem garante que quem está com as contas no pescoço irá pagar certinho os seus investidores, né?! 

Com relação à alta procura pelas commodities brasileiras, o ponto também possui uma certa instabilidade, uma vez que o aumento da procura do minério de ferro, por exemplo, é decorrente de uma retomada econômica chinesa. A economia chinesa continuará neste caminho de retomada e investimentos na indústria? Espera-se que sim, mas precisamos ficar bem atentos ao movimento econômico por lá, já que ele afeta diretamente o movimento daqui. 

O que eu tenho a ver com a queda do dólar?

O valor do dólar comercial está caindo e sim, isso é um grande motivo para nós comemorarmos - mesmo se você, assim como eu, não comercializa minério de ferro e nem tem uma viagem internacional agendada pós-pandemia. 

Parece óbvio, mas precisamos frisar aqui que a queda do dólar comercial está diretamente ligada à valorização do real e, dessa forma, tudo que compramos externamente passa a ficar mais barato com o dólar comercial em queda.

Por exemplo, se um barril de petróleo custa, hipoteticamente, US$ 10, com o dólar a R$5,79 ele irá sair R$57,90. Agora, com o dólar a R$5,20, esse mesmo barril será adquirido por R$52. Além das petroleiras, sabe quem irá sentir essa diferença de valor também? O seu bolso!

A gasolina provavelmente ficará mais barata, assim como diversos outros produtos, os quais possuem o petróleo em sua cadeia de produção. Então siiim, caros leitores, devemos ficar de olhos bem atentos no preço do dólar comercial e no quanto ele pode fazer bem ou mal para as nossas despesas mensais. 

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