Desenvolvimento sustentável no Brasil: por dentro dos compromissos da Natura

Gerente de sustentabilidade da marca conta sobre os passos que levaram a Natura ao ranking das empresas mundiais mais sustentáveis

Natura está no ranking das empresas mundiais mais sustentáveis
Natura está no ranking das empresas mundiais mais sustentáveis - Shutterstock

por Gabriela Campos
Publicado em 07/06/2021 às 10:00
Atualizado às 10:00

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O desenvolvimento sustentável está em alta nas discussões econômicas e nos fóruns ambientais e sociais. Atualmente, fala-se muito sobre o tema, especialmente sobre a necessidade de um desenvolvimento sustentável. Mas o que seria esse tal desenvolvimento sustentável e por que ele é tão importante assim? 

De acordo com a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, “desenvolvimento sustentável é o desenvolvimento capaz de suprir as necessidades da geração atual, garantindo a capacidade de atender as necessidades das futuras gerações”. De forma resumida: é vivermos o hoje sem intervirmos negativamente no amanhã das gerações futuras.

Fazemos isso hoje, de maneira geral? Não - e é aí que mora o problema.

A forma de produção e organização da sociedade atual, em sua maioria, vem causando sérios problemas, os quais serão carregados para as próximas gerações. O aumento da temperatura global, os índices socioeconômicos discrepantes e os modelos de produção que buscam o lucro a todo custo são só alguns dos exemplos que podemos dar sobre o momento nada sustentável em que estamos situados. 

Como afirmamos acima, nós não fazemos o uso de um desenvolvimento sustentável hoje, de maneira geral. Mas tem alguém (ou melhor, “alguéns”) trilhando o caminho deste tipo de desenvolvimento? Tem! 

Por isso, hoje vamos falar um pouquinho sobre uma empresa que é uma velha conhecida dos brasileiros e que desde sempre aparece relacionada às causas e posicionamentos sustentáveis: a Natura. 

Conversamos Luciana Villa Nova, gerente de sustentabilidade da Natura, para entender porque a empresa aderiu a esse tipo de desenvolvimento e também para conhecer algumas das centenas de ações que ela executa anualmente. Quem sabe dessa conversa você (você aí, leitor) não tira alguma ideia sustentável para a sua empresa ou local de trabalho?

Por que ser uma empresa sustentável, Natura?

De acordo com Villa Nova, o próprio nome Natura e a adoção da venda direta como modelo de negócio já traduz parte do compromisso da empresa com a sustentabilidade em nível social, ambiental e econômico. “A sustentabilidade integra nossa estratégia corporativa”, pontua.

Mas por que agir, como empresa, pensando no meio ambiente, no bem-estar social etc.? Empresas não devem, obrigatoriamente, focar única e exclusivamente no lucro? Não, não e não! “As empresas podem ser uma força para o bem na solução dos desafios socioambientais. Para nós, a prosperidade econômica deve ser indissociável do impacto positivo no meio ambiente e na sociedade”, comenta.

Esse tipo de posicionamento, visando um desenvolvimento sustentável, sempre foi apontado como uma escolha, com as empresas com viés sustentável muitas vezes sendo criticadas pelos discursos e posicionamentos atípicos. Hoje, porém, a sustentabilidade é algo essencial, já que não são “só” as gerações futuras que serão afetadas pelas nossas escolhas atuais, mas a nossa própria. 

“Saímos da era do OU, e precisamos caminhar na era do E. Por essa razão, é necessário construir uma agenda que viabilize o progresso econômico em conjunto com a conservação do meio ambiente e a prosperidade das pessoas, e para isso precisamos do engajamento de diversos atores nesse debate”, reforça a gerente de sustentabilidade.

Como a Natura se tornou uma empresa sustentável? 

No ranking mundial das empresas mais sustentáveis do mundo, publicado pela Corporate Knights no início de 2020, a Natura ocupava a 30ª posição e estava entre o top 3 das empresas brasileiras citadas no índice. Mas ela não atingiu esse patamar em sustentabilidade de uma hora para outra. 

As medidas de desenvolvimento sustentável da Natura começaram lá atrás, nos anos 70, com a intensificação das pesquisas em busca de ampliar o uso de ingredientes naturais no portfólio da marca. Depois disso, diversas outras ações pioneiras foram tomadas pela empresa, como o lançamento de refis para produtos ainda nos anos 80, o selo de Carbono Neutro em 2007 e a extinção dos testes em animais de todos os seus produtos e cadeia de produção ainda em 2006. ”Antecipamos em mais de uma década um debate que hoje é frequente na agenda socioambiental”, comenta.

As metas de sustentabilidade da empresa, porém, não se acomodaram. De acordo com Villa Nova, a Natura e todo o grupo Natura & Co., do qual fazem parte as empresas The Body Shop, Avon e Aesop, possuem objetivos importantes para serem alcançados nos próximos anos. Spoiler: são metas bem ambiciosas e importantes.

“Entre os objetivos do grupo para serem alcançados até 2030 estão: atingir zero emissões líquidas de carbono; mobilizar esforços em rede para alcançarmos o desmatamento zero até 2025; garantir que 100% dos materiais de embalagens sejam reutilizáveis, recicláveis ou compostáveis; garantir 100% do descarte responsável de plásticos; utilizar 95% de ingredientes renováveis e fórmulas biodegradáveis, e chegar a pelo menos 30% de diversidade em cargos de liderança”, revela. 

O que concluímos? Que nenhuma empresa dorme hoje e amanhece amanhã 100% sustentável, reciclando todos os insumos da sua cadeia produtiva, oferecendo as melhores condições de trabalho do mundo para seus funcionários e plantando 100 mil pés de árvores. A caminhada não é assim, instantânea, mas ela precisa começar, com grandes ou pequenos passos, de acordo com a realidade da empresa e suas possibilidades.

Responsabilidade com as riquezas da Amazônia

Já falamos aqui no Finanças e Empreendedorismo sobre a importância de se preservar a Amazônia, já que ela possui um grande impacto ambiental, social e econômico para o país. Com um modelo de desenvolvimento sustentável, a exploração da floresta de maneira responsável é possível.

No caso da Natura, essa possibilidade já é uma realidade. Villa Nova conta que a marca atua na região da Amazônia há mais de 20 anos e que, nesse tempo, mais de 2 milhões de hectares foram conservados mediante contribuição da Natura. “Graças aos mais de 20 anos de atuação na Amazônia, contribuímos para conservar 2 milhões de hectares da floresta através de um modelo que prioriza a bioeconomia, a pesquisa e o desenvolvimento de cadeias da sociobiodiversidade e o bem-estar das comunidades. Este modelo já movimentou na região, entre 2011 e 2020, R$ 2,1 bilhões e impactou positivamente na vida de cerca de 28 mil pessoas”, complementa.

Atualmente, 16,5% dos insumos utilizados pela marca vêm da região da Amazônia e 39 bioingredientes amazônicos já foram desenvolvidos pela equipe, adquiridos de cerca de 85 cadeias de fornecimento. “Nosso relacionamento abrange mais de 7 mil famílias, em 34 comunidades agroextrativistas locais”, comenta.

Para quem se interessar mais sobre o assunto, no site da Natura eles disponibilizam na aba “Sustentabilidade” todos os compromissos, causas, certificações e demais informações a respeito do trabalho da empresa na parte de desenvolvimento sustentável. Vale a pena dar uma olhadinha!

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