O que fazer quando sua conta corrente entra no cheque especial?

Especialista dá detalhes sobre este tipo de empréstimo e indica os melhores caminhos para se livrar deste problemão!

Fique longe do cheque especial!
Fique longe do cheque especial! - Shutterstock

por Gabriela Campos
Publicado em 09/06/2021 às 11:30
Atualizado às 11:30

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Mais temido do que muito bicho papão, o cheque especial é um tipo de empréstimo pré-aprovado que é utilizado quando todo o recurso da conta-corrente foi embora, mas as contas e gastos ainda não. 

Em uma situação hipotética, ele funciona basicamente assim: João tem R$100 em conta e mais R$500 de limite liberado no cheque especial. Contudo, ele precisa pagar um boleto de R$300 e decide utilizar o seu limite de cheque especial para isso. Sendo assim, João pega emprestado R$200 do banco, por meio do cheque especial, e quita o boleto. 

João fez alguma coisa de errado? Bom, não. Ou melhor, depende!

Conversamos com Fernando Nogueira da Costa, que é doutor em economia, professor titular do Instituto de Economia da Unicamp e ex-vice-presidente da Caixa Econômica Federal para entendermos mais sobre o cheque especial e porque ele deve ser evitado ao máximo!

Está na rua e começou a chover? Aceite o guarda-chuva!

Não, não vamos falar sobre o clima, mas sim sobre emergências financeiras

Vamos supor que você foi a pé comprar pão na padaria, e, de repente, no momento que você está saindo de lá, começa a chover. O padeiro, vendo o problemão que você tem pela frente, te oferece um guarda-chuva para que você consiga chegar até a sua residência sem se molhar tanto. Você faz o quê? Aceita, é claro!

Contudo, quando a chuva passa, você logo corre até aquela padaria para devolver o guarda-chuva que te salvou. Certo? Certo! Bom, o uso do cheque especial deve ter exatamente essa função.

De acordo com Costa, o cheque especial é um produto caríssimo e que deve ser evitado o máximo possível, sendo utilizado apenas em situações de verdadeira emergência e não para comprar uma roupa ou algum outro bem. 

“Evite o máximo possível! Não entre nesse crédito em função de consumo. Agora, se você estiver em uma situação de emergência, como saúde, acidente, alguma coisa, tudo bem! Mas ele é só para situações emergenciais, para você resolver em questão de dias. Você deve cobrir o mais rápido possível esse buraco”, afirma. 

Essa sensação de urgência em devolver o dinheiro para o banco tem nome: juros! “O cheque especial é um crédito caro, que só perde para os juros do cartão de crédito. Ele chega hoje a 121% ao ano, o que é o equivalente à taxa de juros sobre juros de 6,8% ao mês”, retrata Costa.

Trazendo para um exemplo real, é como se aquele boleto que João, nosso personagem lá do início da matéria, custasse, no final de 12 meses, R$242 a mais. Ou seja: de R$200, a dívida do João com o banco, por conta do uso do cheque especial, passou agora a R$442. Se essa dívida foi gerada por conta de uma emergência de saúde, tudo bem! Agora, se o boleto que João pagou foi o de um tênis novo que está na moda… complicado, João!

Por isso, lembre-se: o uso do cheque especial é indicado como o último dos últimos recursos e, caso seja utilizado, deve ser pago o mais rápido possível.

Peguei emprestado e não vou conseguir devolver rápido, e agora?

Se você já pegou o cheque especial, olhou suas finanças e percebeu que não conseguirá cobri-lo rapidamente, calma, respira, que pra tudo tem jeito!

Costa indica que, em situações em que a possibilidade de quitação do empréstimo não for possível de maneira imediata, o ideal é tentar quitar aquela dívida conversando com a família ou com empréstimos com taxas de juros mais baratas, como os pré-consignados.

“Se você tem um crédito caro, como o cheque especial, tente pegar um mais barato, como o pré-consignado, para quitá-lo. Você pode também conversar com a gerente do banco sobre melhores condições para você resolver aquela dívida. Se possível, veja se algum amigo ou parente pode te ajudar”, aponta. 

O importante aqui é: não deixe a sua conta permanecer no cheque especial, se não ela irá se transformar no maior e mais real bicho papão da sua vida financeira. 

Como driblar a necessidade de cheque especial?

Para passar bem longe do cheque especial, a receita é: tenha uma reserva de emergência! Ao ter um recurso guardado e disponível para as emergências, será quase impossível você se enrolar em uma dívida assim. Lembre-se que aquele recurso do cheque especial está disponível para uso, mas ele não é seu!

“A pessoa vê o dinheiro lá e às vezes acha que é para usar, mas não, não é para usar.

Você tem que planejar bem as finanças para ter reserva e evitar sempre entrar no cheque especial”, reforça Costa.

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