Como as baixas temperaturas podem afetar as compras de supermercado

Coordenador da Área de Socioeconomia do IDR-Paraná explica como o frio impactou as produções de frutas e hortaliças

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Geada - Shutterstock

por Gabriela Campos
Publicado em 08/07/2021 às 16:27
Atualizado às 16:27

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A última semana de junho foi marcada por um frio intenso em diversas regiões do país. No Paraná, por exemplo, os dias 29 e 30 apresentaram temperaturas abaixo de zero, com mínimas chegando aos -4°C, segundo informações do boletim agrometeorológico do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná).

Além da vontade de ficar o dia todo embaixo das cobertas, esse clima frio traz outras mudanças na rotina dos brasileiros, como o possível aumento dos preços de algumas frutas e hortaliças -  e até a falta de alguns destes produtos no mercado. 

Segundo Dimas Soares Júnior, Coordenador da Área de Socioeconomia do IDR-Paraná, a onda gelada que cobriu o estado na última semana pode trazer consequências a curto e médio prazo para o bolso dos consumidores. Com relação às consequências negativas sentidas pelos produtores e consumidores logo na semana seguinte às ondas de frio, o coordenador aponta a questão das hortaliças.

“O impacto mais direto, que o consumidor vê logo na semana seguinte, é o impacto sobre os preços das hortaliças folhosas produzidas em canteiros a céu aberto, como a couve, o alface, a rúcula e o agrião”, aponta Dimas. 

Por conta da perda de boa parte da produção das hortaliças e da dificuldade de encontrar mercados externos para repor a demanda do estado, no Paraná, o preço das hortaliças tende a subir nos próximos dias. Contudo, Dimas explica que esse aumento não tende a durar muito, já que as hortaliças possuem um ciclo mais curto. “Em 45 ou no máximo 70 dias a produção volta à estabilidade”, diz.

Outra perda importante que os produtores do estado tiveram, mas que será sentida nos bolsos dos consumidores apenas a médio prazo, é na produção do milho e pastagens. 

O milho é uma das matérias-primas utilizadas na produção de ração animal. Com a sua alta, torna-se mais caro alimentar os animais, o que poderá impactar diretamente no preço do leite, por exemplo. “O milho segunda safra estava na fase produtiva, então houveram perdas importantes. Ele vai impactar o preço, lá na frente, de suínos, aves e na produção de leite também”, explica. 

Com a perda das pastagens, surge outro problema: os produtores terão que utilizar mais ração para alimentar os animais. Esse movimento de substituir a pastagem pela ração também poderá deixar a cadeia produtiva mais cara, já que, como pontuado acima, a cadeia produtiva da ração demanda milho, o qual estará com redução de oferta no mercado.

E as frutas?

Se você leu até aqui, provavelmente está pensando: “só notícia nada boa, hein Finanças e Empreendedorismo?”. Mas calma que tem um suspiro de esperança aqui - mas apenas para os consumidores, infelizmente. 

De acordo com Dimas, a produção frutífera do estado também foi impactada, o que trouxe prejuízo aos produtores locais. Porém, por serem produtos de mais fácil reposição, o consumidor não sentirá esse impacto causado pelo frio nem no preço e nem na disponibilidade do produtos no mercado. 

“Nas frutíferas, houve impacto no abacaxi e banana, com prejuízos importantes aos produtores, mas que não devem ter grandes consequências no mercado pois são espécies que são supridas com produtos de outras localidades”, explica.

Para tentar driblar esse aumento e manter as contas de casa equilibradas, Dimas dá dois conselhos: 1) se o orçamento estiver apertado, fique atento ao preço deste produtos e, se necessário, reduza o consumo; 2) dê preferência para o consumo dos produtos da época, já que estes serão encontrados com mais facilidade e com preços melhores - além de serem mais saborosos. 

Confira abaixo as indicações de frutas invernais dadas pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo:

- Caqui

- Carambola

- Limão

- Maçã

- Mamão Papaia

- Tangerina Poncã 

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