Saúde emocional no trabalho: como ajudar os gestores a humanizar a relação com os funcionários?

Desenvolver o aspecto emocional dos gestores é essencial para manter a saúde física e emocional desses profissionais

Saúde emocional no trabalho
Saúde emocional no trabalho - Shutterstock

por Redação FE
Publicado em 09/05/2021 às 09:00
Atualizado às 09:00

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Uma das principais fragilidades dentro das empresas é o não falar sobre as emoções, ação que se dá por alguns líderes ainda acreditarem que expor vulnerabilidade pode ser sinônimo de receber um atestado de “gestor fraco”.

Em consequência disso, os gestores assumem um papel de super-herói e cobram-se muito: não podem errar, não podem expressar seus sentimentos e nem se abrir com as pessoas. O resultado disso? O gestor se torna uma “bomba relógio”, pois acaba adoecendo física e emocionalmente.

Foi pensando nisso que uma indústria de alimentos para animais de estimação realizou, durante a pandemia, uma pesquisa de qualidade de vida com os colaboradores em home office, a qual revelou que seus gestores não estavam preparados emocionalmente para a situação e que também estavam inseguros, com medo e sem saber como apoiar a equipe. 

“Os resultados da pesquisa nos trouxeram algumas questões a serem tratadas, dentre elas a informação de que os gestores precisavam de mais apoio e não estavam sabendo lidar com a situação da pandemia e cuidados com os colaboradores, uma vez que tudo aquilo era novo para eles também. Nossa coordenadora de RH pensou em um programa diferente, que não fosse treinamento, sala de aula, mas sim, um momento de falar de sentimentos, compartilhar dores, mostrar as fragilidades e vulnerabilidades, e o mais importante saber que não estão sozinhos”, afirma Fabia Carvalho, gerente de RH da indústria em que foi aplicada a pesquisa.

Para Carvalho, o resultado da pesquisa deixou mais claro ainda que desenvolver gestores não é somente ensinar técnica, normas, coordenação, mas sim uma oportunidade de auxiliá-los com suas questões emocionais também. “Além de incentivar que ele compartilhe suas dores e mostre suas fragilidades, esse desenvolvimento deve dar o apoio necessário para que inclusive ele aceite a ideia de que não é super herói, e sim um ser humano e que tudo bem, sentir tristeza, raiva, insegurança, faz parte”, afirma.

A gerente ainda afirma que essa mudança na forma de enxergar os gestores só tem a trazer benefícios para todos. “As empresas só têm a ganhar, por cuidarem de quem cuida, de quem tem que ser e receber apoio e principalmente daqueles que tem que dar o exemplo. É algo que está na cara, mas é muito negligenciado. O ideal é mostrar para o gestor que ele é importante e que seus sentimentos também, que ele merece ser ouvido, que pode falar e expor suas vulnerabilidades, além de poder compartilhar as próprias dificuldades com as pessoas, sendo elas de sua equipe ou outros gestores, ou seja, ter a liberdade em dividir a dor”, reforça. 

Fontes: Fabia Carvalho (Gerente de RH da Special Dog Company) com Ideias & Efeitos Comunicação

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