10 melhores empresas para LGBTQIA+ trabalharem

Entenda os avanços do mercado para a comunidade LGBTQIA+ e veja a lista das melhores empresas para trabalhar

LGBTQIA+
LGBTQIA+ - Shutterstock

por Gabriela Campos
Publicado em 21/06/2021 às 12:13
Atualizado às 12:13

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Diariamente, a comunidade LGBTQIA+ brasileira acorda para lutar. Em muitos casos, uma luta física, como mostram os dados da Associação Nacional de Travestis e Transexuais. Apenas em 2021, 56 pessoas trans foram assassinadas no Brasil. Em tantos outros, a batalha é também psicológica, já que a falta de acolhimento e respeito, seja nas ruas ou dentro da própria casa, acaba por destruir a saúde mental de muitas pessoas LGBTQIA+. Segundo estudo do coletivo #VoteLGBT em parceria com a Box 1824, 42,72% da população LGBT+ vêm sofrendo com problemas ligados à saúde mental durante a pandemia.  

Mas essa rotina de luta também já garantiu alguns avanços legais a essas pessoas, como o casamento igualitário, o direito à autodeterminação de gênero, a doação de sangue e a Criminalização da Homofobia e da Transfobia. Mas será que apenas essas leis e direitos são suficientes para garantir a segurança e a inclusão LGBTQIA+ em todos os espaços da sociedade, inclusive no mercado de trabalho? 

O mercado de trabalho LGBTQIA+

A consultoria global Great Place To Work (GPTW), há três anos, vem trazendo um novo e importante dado com relação ao seu tradicional ranking das Melhores Empresas para Trabalhar. Em 2021, ela lançou a 3ª edição do Melhores Empresas para Trabalhar LGBTQI+, feito em parceria com a Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOLGBT).

O ranking LGBTQI+ considera critérios como a avaliação das práticas das empresas que responderam ao questionário da consultoria, além das considerações dos funcionários nas questões específicas sobre orientação sexual.

Confira abaixo a lista das melhores empresas para se trabalhar LGBTQIA+ em 2021:

1 - IBM Brasil

2 - Bristol Myers Squibb

3 - ACCOR

4 - EY

5 - Accenture do Brasil

6 - CI&T

7 - Banco Bradesco S.A.

8 - Cognizant Brasil

9 - Banco Santander (Brasil) S.A.

10 - Takeda Distribuidora

Ouvimos o que algumas dessas empresas têm a dizer com relação à importância da inclusão e diversidade nos ambientes corporativos.

A possibilidade de ser quem é

Já imaginou você chegar no seu ambiente de trabalho e, a todo momento, ter que gastar energia para tentar esconder quem você verdadeiramente é? Triste, exaustivo e angustiante viver dessa maneira.

Raul Almeida é gay, embaixador do Comitê LGBTI+ Accor Brasil e gerente de contas estratégicas Accor Brasil, empresa que avançou da 4ª posição em 2020, para o 3º lugar do ranking GPTW neste ano. Para ele, essa possibilidade de ser quem é, em seu ambiente de trabalho, é algo “libertador” e garante um maior desenvolvimento profissional. 

“É libertador para mim, como homem gay, pois eu posso ser como sou e também tenho espaço para contribuir com ideias que ajudem a comunidade, interna e externamente. Isso fez toda a diferença para o meu desenvolvimento enquanto colaborador, e na comunicação com todas as pessoas que me cercam”, diz Almeida. 

Fabiana Cardoso é líder de Diversidade e Inclusão da IBM Brasil, empresa que ficou em primeiro lugar no ranking da GPTW e, de acordo com ela, uma de suas missões é que cada funcionário da empresa possa viver essa liberdade de ser quem ele é.

“É fundamental para o ser humano ter o direito e a segurança de ser quem são, por inteiro, em todos os ambientes em que ele convive e, especialmente no ambiente de trabalho. A empresa apoia cada funcionário a prosperar e trazer seu verdadeiro eu para o trabalho”, conta a líder de Diversidade e Inclusão da IBM Brasil com relação às práticas adotadas internamente.

A fala de Cardoso é a prática observada pela Analista da área de IGF da IBM Brasil, Bruna Todeschini, que é trans. Todeschini afirma que as ações promovidas pela empresa vão muito além da intenção de mostrar isso para a mídia, são ações verdadeiras e palpáveis.

“Temos muitos casos de empresas que fazem mídia em prol da causa, mas na realidade não criam um ambiente inclusivo e livre de preconceitos. Na IBM, eu me sinto respeitada. Saber que eu consigo ser quem eu sou (igual qualquer outro funcionário é, antes de tudo, uma forma de respeito à comunidade LGBTQIA+.”,  diz Todeschini.

Como exemplos destas iniciativas promovidas pela IBM Brasil estão a criação de banheiros neutros na empresa, que podem usados por qualquer pessoa de qualquer gênero ou identidade de gênero; a concessão a casais homoafetivos dos mesmos benefícios oferecidos aos casais heterossexuais legalmente casados; e o programa de Assistência à Pessoa Trans.

Os avanços existem, mas precisam prosseguir

Assim como as leis e direitos que vêm sendo conquistados pela comunidade LGBTQIA+ ao longo dos anos, os avanços dentro do mercado de trabalho também estão sendo trilhados. Contudo, ainda há um longo caminho a ser percorrido. 

Para Kelcy Matsuda, gerente Sênior de Diversidade & Inclusão da CI&T, e Ana Paula Fraga, gerente de Diversidade & Inclusão da CI&T, empresa que alcançou o 6º lugar no ranking GPTW em 2021, estar no ranking é motivo de orgulho, contudo, o compromisso com os avanços em torno da inclusão da comunidade LGBTQIA+ no mercado de trabalho “precisa ser diário”. 

“Recebemos a notícia [de estar no ranking] com muito orgulho. Mas ao mesmo tempo sabemos que é um trabalho apenas na fase inicial. Ainda temos muito a percorrer para garantir que a comunidade LGBTQIA+ possa transitar sem sofrer discriminação na sociedade e no ambiente corporativo. Todas as nossas ações, que vêm sendo implementadas ao longo dos últimos anos, sempre foram pautadas nessa direção: do respeito e na crença que só seremos uma sociedade justa se combatermos qualquer tipo de preconceito. Sabemos que esse é um compromisso de longo prazo, que precisa ser assumido e reiterado todos os dias”, afirmam.

Há três meses como Técnico Júnior na CI&T, Pietro Henrique, que é trans e periférico, afirma que nunca imaginou que conseguiria ocupar o lugar em que está hoje e que a entrada na empresa transformou não só a sua vida, como a da sua família. 

“Quando falo para vocês que pessoas trans não tem chance alguma de chegar aqui, é porque não temos nem acesso livre para andar na rua. E quando a CI&T me mandou a proposta de trabalho, eu fiquei muito feliz, minha família ficou tão orgulhosa de mim, tudo foi muito especial”, relembra Pietro Henrique. 

A dor de cada letra

Vale frisar aqui que o preconceito permeia todas as letras incluídas na sigla LGBTQIA+, contudo, de acordo com um estudo da Google e da Box 1824, quanto mais perto da norma, ou seja, dos padrões estéticos, culturais e de comportamento mais “aceitos” na sociedade, a pessoa se encontra, menores são seus relatos de discriminação. No estudo, essa norma inclui questões ligadas ao: sexo biológico, identidade de gênero, orientação sexual, etnia, classe e passibilidade. 

Bruna Todeschini, a funcionária trans da IBM Brasil que deu o seu depoimento aqui, confirma a realidade que o estudo traz com relação ao mercado de trabalho. “Eu percebo um movimento do mercado para que de fato sejam construídos ambientes mais respeitosos e com uma maior diversidade de pessoas, e isto inclui a comunidade LGBTQI+. Porém, esse movimento ainda se restringe muito ao “L” e “G” da sigla, muitas empresas têm ações de alerta para enfrentar a homofobia dentro dos seus escritórios e efetivamente contratam mais pessoas LGBTs, mas têm restringido muito à sexualidade da pessoa e à como a empresa quer fazer um bom marketing com seus números de diversidade e inclusão. Na minha visão, a IBM Brasil é com certeza a exceção do que se tem hoje em dia, porque as ações que temos para a comunidade LGBTQIA+ vão para além de demonstrar isso com números para a mídia ”, finaliza.

O que significa a sigla LGBTQIA+?

Para quem chegou até aqui e ainda tem dúvidas do que cada letra contida na sigla LGBTQIA+ significa, confira abaixo a descrição:

L = Lésbica

G = Gay

B = Bissexual

T = Travesti, transexual e transgênero

Q = Queer

I = Intersexual

A = Assexual ou Aliados

+ = Inclusão de outras orientações sexuais, identidades e expressões de gênero

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