Trabalho informal: desemprego diminui mas o rendimento médio cai

Apesar do número de desempregados ter caído no último trimestre, o número de pessoas com um trabalho informal atinge cerca de 25,4 milhões.

Além da renda menor, o trabalho informal impacta no poder de compra dos brasileiros
Além da renda menor, o trabalho informal impacta no poder de compra dos brasileiros - Shutterstock

por Loyane Lapa
Publicado em 03/11/2021 às 10:45
Atualizado às 10:45

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Divulgado no fim de outubro, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE mostrou que o número de pessoas desempregadas no Brasil diminuiu.

No trimestre encerrado em maio, a pesquisa mostrou que o país possuía cerca de 14,6% de pessoas desocupadas, enquanto em agosto, esse número recuou 1,4 ponto percentual, chegando a 13,2% de pessoas desocupadas

Entretanto, apesar desse número representar uma mudança significativa, o número de pessoas que buscaram o trabalho informal como uma alternativa à falta de emprego aumentou, e com isso, o rendimento médio também caiu.

De acordo com o PNAD, a taxa de informalidade foi para 41,1% da população ocupada, equivalente a 37,1 milhões de brasileiros com um trabalho informal no país.

Vale lembrar que estas são pessoas que trabalham por conta própria e não possuem um CNPJ ou ainda, aquelas que trabalham auxiliando um familiar, por exemplo.

Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), esse alto número de trabalhadores informais ainda possui vínculos com a crise gerada pela pandemia. Já que a lenta recuperação econômica não está sendo capaz de criar os postos de empregos perdidos no durante o período mais grave da crise de covid-19.

Para a OIT,  a taxa de informalidade no emprego aqui do Brasil é de 68% da população. Conforme fala de Vinícius Pinheiro, diretor da organização para a América Latina e Caribe, esses postos de trabalho informais geralmente “são instáveis, com salários baixos e sem direitos ou proteção social”.

Fora todas essas questões de trabalho informal e de desemprego, há ainda o aumento no custo de vida dessas pessoas, como na alimentação, nas despesas básicas como a conta de luz e no gás de cozinha, no combustível, entre outras questões essenciais à sobrevivência, já que a renda mensal dessas famílias diminuiu cerca de 4,3% quando comparado ao PNAD do último trimestre.

Além disso, os empregados sem carteira assinada no setor privado somaram 9,8 milhões de pessoas, contingente 6,4% maior (mais 586 mil pessoas) quando comparado ao mesmo trimestre de 2020.

E, por outro lado, houve o aumento de 1,1 milhão de trabalhadores com carteira assinada no setor privado (31 milhões).