As Olimpíadas de Tóquio podem movimentar a economia brasileira?

Entenda quais efeitos econômicos os Jogos Olímpicos do Japão podem gerar no Brasil

Olimpíadas de Tóquio
Olimpíadas de Tóquio - Shutterstock

por Gabriela Campos
Publicado em 23/07/2021 às 14:30
Atualizado às 14:30

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Pela segunda vez em sua história, o Japão é sede e deu início, nesta sexta-feira (23), aos Jogos Olímpicos de Verão. Anteriormente, os Jogos estavam marcados para acontecer em 2020, contudo, por conta da pandemia, eles foram adiados para 2021. 

Além das competições esportivas, a Olimpíada também é sempre marcada por movimentações econômicas, geradas pelo turismo. Estima-se que, em 2016, a cidade do Rio de Janeiro tenha recebido 1,17 milhão de visitantes, segundo levantamento da Prefeitura.

Porém, essa realidade está bem longe da vivida nos Jogos do Japão. No início de julho, a ministra das Olimpíadas, Tamayo Marukawa, anunciou que os Jogos Olímpicos seriam realizados sem a presença de público devido ao aumento dos casos de Covid-19 no país. 

Não há dúvidas de que essa importante medida de segurança tomada pelo Japão afetará o retorno econômico que os Jogos trarão para a economia local. A pergunta que buscamos responder hoje, porém, é: e para os demais países, como o Brasil, as Olimpíadas de Tóquio terão algum impacto econômico positivo? 

Para fazermos a relação dos Jogos Olímpicos e a economia brasileira conversamos com o Agostinho Celso Pascalicchio, que é professor de Economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie

Os Jogos Olímpicos do Japão e a economia brasileira

Segundo dados do G1, hoje o Brasil possui 44,03% da população brasileira vacinada com a primeira dose e 17,25% com a imunização completa. Por conta desse cenário, muitas medidas restritivas estão sendo afrouxadas e aquela luz no fim do túnel de “retorno ao normal” começou a ser visualizada com mais clareza. 

Em consequência disso, a economia brasileira vem dando pequenos passos em direção a uma recuperação, a qual, segundo Pascalicchio, será vista com mais clareza a médio e longo prazo. 

“Nós sempre falamos que vai piorar um pouquinho antes de melhorar. Então essa transição, se pensarmos em médio e longo prazo, vai melhorar a situação do país. A curto prazo, nós não temos uma definição clara de quais outros setores [com exceção da indústria extrativista, construção civil e commodities] serão estimulados”, comenta. 

Ou seja, no momento, o Brasil está passando por um momento de transição econômica, caminhando, ainda que cambaleando, em busca de uma retomada. Junto a isso, um novo estímulo foi lançado em todas as partes do mundo: o estímulo Olímpico. Mas será mesmo que ele fará tanta diferença assim na economia do Brasil? 

“O efeito pandemia e essa saída gradativa e sofrida que nós estamos tendo está sendo maior e está estimulando as vendas mais do que as Olimpíadas. Ainda é muito prematuro falarmos do impacto das Olimpíadas sobre o PIB brasileiro, pois nós estamos vivendo, junto a isso, o efeito pandemia”, explica. 

Como afirma Pascalicchio, ainda é prematuro avaliar o impacto das Olimpíadas sobre o PIB brasileiro, contudo, ele ressalta que a expectativa é que ela gere movimentações econômicas singelas, mas positivas, em especial nos setores da comunicação, mídia e indústria esportiva. 

Dentro da indústria esportiva, Pascalicchio cita a indústria de calçados e vestuário, a qual será impactada pelas inovações tecnológicas trazidas pelas Olimpíadas, especialmente na área de performance dos atletas e no setor de confecção, o qual tende a buscar vias mais sustentáveis de produção. 

Já em relação à possibilidade dessas movimentações econômicas internas gerarem algum impacto na questão do desemprego no país, o professor foi bem direto: a curto prazo, os estímulos econômicos gerados pelos Jogos Olímpicos tendem a não serem expressivos na geração de postos de trabalho. 

“Imediatamente não. As atividades de comércio, de serviços, comunicação e mídia precisam produzir efeitos muito grandes para reduzirem o desemprego. Então, imediatamente não, somente em um segundo momento pode ser que o espírito olímpico possa gerar impacto nisso. Por exemplo, pode ser que a gente tenha um Natal melhor do que no ano passado, motivados também pela Olimpíada”, finaliza Pascalicchio. 

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