Endividamento já atinge 74,6% das famílias brasileiras, segundo o CNC

Entre os principais motivos para o endividamento estão o cartão de crédito, carnês de lojas e financiamento de automóveis.

De acordo com a CNC, as pessoas estão tendo um compromisso maior em pagar suas dívidas por conta da alta na taxa Selic
De acordo com a CNC, as pessoas estão tendo um compromisso maior em pagar suas dívidas por conta da alta na taxa Selic - Shutterstock

por Loyane Lapa
Publicado em 05/11/2021 às 10:45
Atualizado às 10:45

COMPARTILHEFacebook Finanças e EmpreendedorismoPinterest Finanças e Empreendedorismo

Mensalmente, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), realiza sua Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), que calcula a porcentagem de famílias brasileiras endividadas. Mas, no mês de outubro, esse índice bateu um novo recorde de 74,6%, superando em 0,6 pontos percentuais o valor registrado no mês de setembro.

Esse aumento no número de famílias endividadas vem acontecendo de forma escalonada pelo 11º mês consecutivo. Em setembro, por exemplo, o índice já registrava 74%. Para ter ideia do aumento, esse número saltou em 8,1 pontos percentuais em comparação com o mesmo período do ano passado.

As estimativas são de que agora, cerca de 12,2 milhões de famílias possuem dívidas a vencer em cartões de crédito, cheques pré-datados, cheque especial, carnês de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal ou ainda em financiamentos de imóveis e automóveis.

Por outro lado, o percentual de famílias que permanecerão com dívidas ou continuarão inadimplentes por falta de condições de pagamento recuou 0,2 pontos percentuais. Em setembro, 10,3% das pessoas estavam nessas condições. Agora, em outubro, foi registrado um total de 10,1%.

No mesmo período do ano passado, o número de famílias que viviam nessas condições era de 11,9%. Bem maior quando pensamos no percentual de hoje. 

De acordo com o próprio CNC, a alta na taxa Selic está desacelerando a proporção de endividados, já que a taxa básica de juros que impacta no valor de serviços bancários está ficando cada vez mais cara.

Para o presidente da CNC, “a inflação corrente elevada e disseminada tem deteriorado os orçamentos domésticos e diminuído o poder de compra das famílias, em especial as na faixa de menor renda. Os números demonstram os esforços em manter os compromissos financeiros em dia, com renegociação e melhor controle dos gastos”.

Dívidas no cartão de crédito

Seguindo a tendência de meses anteriores, o cartão de crédito continua sendo o vilão dos endividados. Atualmente, esse método de pagamento é o motivo das dívidas de 84,9% das famílias. Comparando com outubro de 2020, o salto foi de 6,4 pontos.

Em seguida, outras formas de pagamento seguem um pouco atrás do cartão de crédito, como o carnês de loja (20,2%) e o financiamento automotivo (12,7%). Por fim, se destacam também o financiamento de imóveis (9,7%) e o crédito pessoal (9,2%).