Carne bovina recua 0,78% em outubro, segundo IPC/Fipe

Mesmo em queda, consumidor ainda não vai perceber mudanças significativas no valor da carne bovina do supermercado.

Essa foi a primeira vez em mais de um ano que a carne bovina registra queda
Essa foi a primeira vez em mais de um ano que a carne bovina registra queda - Shutterstock

por Loyane Lapa
Publicado em 10/11/2021 às 10:45
Atualizado às 10:45

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O Índice de Preços ao Consumidor já registrou os resultados de outubro. E um dos que chamam atenção é justamente a queda no preço da carne bovina. Esse foi o primeiro mês em que o valor recuou depois de mais de um ano. Somente neste ano, o produto registrou um aumento de 11,57% e de 21,51% no acumulado em 12 meses, segundo a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

Um dos principais fatores aliados a esse recuo na oferta da carne bovina, está justamente no embargo da China, de suspender a carne brasileira. Somente em outubro, a exportação de carne caiu em 43%.

A China, que é a maior compradora de carne bovina do Brasil, impôs esse embargo no início do mês de setembro, quando o Brasil registrou dois casos da doença da “vaca louca”. Por terem sido casos atípicos, a Organização Mundial de Saúde Animal comunicou ao país que essas ocorrências não apresentavam riscos para a exportação.

Contudo, o embargo se mantém de pé até o momento. Até aconteceram exportações de carne para a China, mas de acordo com a Associação Brasileira de Frigoríficos essas exportações foram residuais.

A queda da carne para os consumidores brasileiros

Esse primeiro recuo no preço da carne bovina aparece de forma modesta ao consumidor. Afinal, mesmo com essa queda, os preços continuam salgados para o bolso da população brasileira. E, segundo o coordenador da Fipe, esse preço ainda deve demorar um pouco mais para refletir a ponta dessa cadeia, que no caso, é o varejo.

Enquanto para o consumidor, essa queda acontece de maneira imperceptível, para o atacado e para o campo, essa queda se mostra mais acentuada. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Universidade de São Paulo, nesses ambientes, a carne bovina registrou queda de 4,15%.

Infelizmente, a expectativa é que os preços demorem a descer aos níveis considerados normais, já que os próprios frigoríficos estão priorizando a venda para o exterior. Isso porque, no momento de recessão econômica causada pela covid-19, a China comprou a carne bovina brasileira por preços muito superiores. 

Além dos frigoríficos, o próprio Ministério da Agricultura autorizou a estocagem da carne que seria destinada para a China em contêineres refrigerados pelo prazo de 60 dias. O pedido foi feito pelos produtores na esperança de voltarem a vender o produto a bons preços no mercado externo.

Mas, de acordo com o próprio IPC/Fipe, essa queda se sustenta no embargo da China. Ou seja, assim que essa restrição se encerrar, os preços devem voltar a subir. 

Então a queda registrada pela carne bovina pode não atender às expectativas dos consumidores.

Por fim, outras proteínas como a carne de frango ainda possuem o preço em elevação. Ainda levando em consideração os dados do IPC/Fipe de outubro, a ave registrou um aumento de 1,26%. Em um ano, a alta foi de 32,71% e em 12 meses, de 39,57%.