Previdência Privada: será que vale mesmo a pena aderir?

Um guia com informações básicas do que você precisa saber antes de contratar um plano de previdência privada

Aposentadoria privada
Aposentadoria privada - Shutterstock

por Gabriela Campos
Publicado em 09/07/2021 às 10:00
Atualizado às 10:00

COMPARTILHEFacebook Finanças e EmpreendedorismoPinterest Finanças e Empreendedorismo

Também chamada de previdência complementar, a previdência privada ganhou a atenção dos brasileiros, especialmente após a Reforma da Previdência, em 2019, momento em que muitos sentiram a necessidade de buscar uma possibilidade de aposentadoria que não estivesse ligada à previdência social, administrada pelo INSS.

A previdência privada nada mais é do que um plano de previdência adquirido com instituições privadas o qual garante o pagamento de um benefício ao próprio participante do plano ou aos seus beneficiários, em caso de morte do titular. Basicamente, é uma aposentadoria, mas uma aposentadoria na que você escolhe a instituição, sob qual rendimento, quais taxas etc. 

Sem mais delongas, vamos à pergunta inicial: será que vale mesmo a pena aderir?

O site Finanças & Empreendedorismo fez uma pesquisa profunda sobre o assunto e a resposta aqui é... Depende!

Se você torce o nariz quando o assunto é investimentos, Tesouro IPCA, Tesouro Direto e demais temas deste universo, então a previdência privada é sim uma boa escolha para que você consiga ter uma aposentadoria mais tranquila. 

Agora, se você tem curiosidade e disposição de mergulhar um pouco no universo dos investimentos, deixe a previdência privada de lado e se dê a chance de ter uma aposentadoria maior e com você no controle dela. 

Então isso quer dizer que fazer a previdência privada não é lá tão vantajoso?

Sim e não! O que ocorre na grande maioria das previdências privadas disponíveis no mercado é esse movimento: você insere o seu dinheiro > a instituição pega o seu dinheiro e faz investimentos > a instituição passa os rendimentos para você; porém, com as taxas administrativas e taxas de carregamento descontadas. 

Ou seja: você terá um rendimento com a previdência, porém, com um investimento direto, você eliminaria essa “terceira” pessoa do processo - no caso, a instituição da qual você contratou o serviço de previdência e as taxas cobradas por ela.

Contudo, como explicamos acima, não tem certo e errado aqui: é preferência e necessidade! Se você prefere a comodidade de uma previdência privada, vamos explicar abaixo alguns pontos importantes para você ficar atento(a) na hora de contratar o plano. 

Quem vende previdência privada e como escolher a opção mais vantajosa?

As previdências privadas são reguladas pela Superintendência de Seguros Privados (Susep) e podem ser adquiridas diretamente com as instituições bancárias ou com as corretoras de seguros. 

Recomendamos que, já no primeiro contato, você pergunte sobre as taxas administrativas e taxas de carregamento e compare com os custos praticados por outras instituições. 

Aproveite também para pedir à instituição financeira ou corretora de seguros um histórico de rentabilidade daquela previdência que eles estão oferecendo. No papel, a rentabilidade pode brilhar como um cristal, mas na prática ela nem sempre corresponde ao que é apresentado. 

Outro ponto importante aqui é: dê preferência por instituições ou corretoras já consolidadas, afinal, este será o dinheiro que te ajudará a garantir mais tranquilidade na sua aposentadoria.

PGBL x VGBL: qual escolher?

Dentro dos planos de previdência privada existem vários tipos e os mais comuns são o Plano Gerador de Benefícios Livres (PGBL) e o Vida Gerador de Benefícios Livres (VGBL). O ideal aqui é você conversar muito com a pessoa com quem você está fechando o plano, isso porque dependendo do seu caso, há algumas variações e observações importantes a serem consideradas e que não se aplicam à regra geral. 

Mas se você está curioso(a) para saber qual foi a regra geral que captamos nas pesquisas, segue abaixo:

- PGBL é indicado para quem trabalha com regime CLT, faz declaração completa no Imposto de Renda e pretende inserir na previdência privada até 12% da sua renda tributável por ano.;

- VGBL é indicado para aqueles que, no momento da declaração do Imposto de Renda, optam sempre pela declaração simples. 

Nas duas opções, porém, é essencial que você fique atento à tributação que ocorrerá no momento da retirada desse dinheiro, uma vez que no PGBL a tributação é sobre o valor total e no VGBL apenas sobre os rendimentos obtidos ao longo dos anos. 

Se eu fizer uma previdência privada, mas antes mesmo de começar a receber eu morrer, alguém da minha família pode ficar com esse dinheiro?

Sim! Na grande maioria dos planos, no próprio contrato haverá a opção de escolher quem será a pessoa para a qual aquele dinheiro será destinado caso você venha a falecer antes de começar a receber o benefício. Porém, aqui temos um ponto de atenção importantíssimo!

Se você não tiver começado a receber os rendimentos, ok, a pessoa irá sim receber o dinheiro. Agora, se você já tiver começado a receber o dinheiro e um ano depois vir a morrer, a pessoa indicada só receberá os valores se você tiver optado pela opção de plano limitado.

Plano limitado e vitalício, o que é isso?

São opções de planos que estão dentro de guarda-chuvas maiores (PGBL ou VGBL). 

- Plano limitado: você recebe mensalmente, pelo período que consta em contrato, um determinado valor. Ou seja, você receberá X parcelas de Y reais, independentemente se você viver até os 60 ou 90 anos;

- Plano vitalício: você recebe, a partir do período determinado em contrato, um determinado valor até o final da sua vida. Ou seja, você receberá parcelas de Y reais, mas o número de parcelas pode variar conforme a sua longevidade.

Em resumo, o nosso conselho é: na hora de fechar uma previdência privada, analise bem cada detalhezinho e questione tudo o que te deixar na dúvida. E tenha ciência que caso você opte por um previdência hoje, mas amanhã encontre uma outra muito mais vantajosa e com taxas menores, é só você pedir a portabilidade da sua previdência para a outra instituição - é tipo trocar o seu número de operadora, a operadora “antiga” pode até reclamar, mas é seu direito e é gratuito

Leia também